Abril 20, 2008...2:02 am

O sétimo mar

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É verdade, sim, passei uma boa temporada sem escrever aqui. Diria que estava aplicando (e ainda o estou) o conceito do blog, mais além, em outras pairagens. Na minha vida, para ser mais exato. Afinal, é meio feio pregar o que não se faz, né? Risos…

Isso pode dar um post. Um outro post, não este, pois o que me trouxe aqui hoje, em pleno início de domingo que antecede uma semana com dois feriados, é música. Adoro ouvir e falar, além de dançar música. É de uma necessidade físico-espiritual única!

Acontece que essa semana, fiquei sabendo pelo amigo Fábio Honório do lançamento de Maré, o novo rebento de Adriana Calcanhotto. E alguns cliques depois, outra novidade: desta vez, de uma de minhas bandas preferidas, os ingleses do Goldfrapp. Daí, tive que dar meu pitaco, não teve jeito! Ainda mais quando o Segundo Caderno do jornal O Globo dedicou uma página inteira ao canto da sereia Calcanhotto.

Sim, Maré e Maritmo, de 1998, são irmãos e formam uma trilogia com um disco ainda por lançar, segundo a cantora. Para dizer a verdade, Maritmo foi o primeiro disco de Adriana que comprei. Apesar de as canções beberem em várias fontes, o todo funciona muito bem. Diria até que tem um apelo mais pop, embora sempre sofisticado.

Maré, o irmão mais recente, é muitíssimo mais elegante e, palavra de leigo em música, é mais coeso enquanto disco. Os arranjos permeiam as músicas de maneira econômica, como a cantora sublinha em sua entrevista a O Globo, e bem simples, sem muitos enfeites. Mas, fica um gostinho de “acabou?” quando se ouve a última faixa.

Neste quesito, Cantada, o último disco de estúdio da cantora, nos deixa, ouvintes, mais satisfeitos. O disco acaba como um grand finale. Maré é mais feminino, se esvai sem avisar. Sem deixar um recadinho na cabeceira da cama. É um disco bem matutino, ao meu ver.

Nisso, Maré e The seventh tree (algo como, A sétima árvore), o último álbum de Goldfrapp, têm muito a ver. Têm um clima de manhã, meio melancólica, fruto de uma noite de acontecimentos (êta, referência óbvia a Marina Lima!). Só que sem obviedades.

Alison (cujo sobrenome é o nome do duo) e Will Gregory criam discos sempre surpreendentes, embora sejam costumeiramente classificados como música eletrônica. Não esperem nada “bate-estaca”; pelo menos, não neste álbum. O fato é que, depois de dois discos mais voltados ao glam-sex-electro-beats, respectivamente Black Cherry (2003) e Supernatural (2005), a dupla retorna às origens, um tanto herméticas alguns dirão, do disco de estréia Felt Mountain (2000).

Alison, dona de vocais etéreos e afinadérrimos (ela tem um pé no canto lírico!), se tornou uma estrela pop às avessas, trilhando caminhos menos óbvios e previsíveis. Quem consegue se esquecer de suas performances de dança com um literal e intrigante rabo de cavalo acoplado ao figurino? 

Felt Mountain e The seventh tree têm uma introspecção muito semelhante, embora o último tenha uma pegada mais pop-rock, além de ser mais otimista e “levanta-poeira”. Mas confesso que fiquei meio “como assim?”, pois esperava algo na trilha de hits como Oohlala e Strict machine. Mas ouvir Road to somewhere me fez pensar que Supernatural já indicava de alguma maneira esse atalho. É uma faixa super emotiva que se comunica com Time out from the world. Linda, linda!

Beijos a todos e curtam o som feminino do outono!

André Silva Bern

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