Novembro 18, 2007...8:30 pm

Negro Barbot

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Terça-feira é feriado da Consciência Negra e ninguém teve presença mais significativa no quesito em minha vida do que Rubens Barbot.

Eu era apenas um aspirante a bailarino e ele, o artista local com quem Pina Bausch saía para se divertir aqui na cidade. Não que este fosse o seu mérito: ciceronear a grande diva alemã da dança moderna no Rio de Janeiro. Pina também devia saber o quão valioso era o trabalho daquele negro exuberante, malandro e sedutor.

Lembro de quando fiz a primeira audição para a sua companhia, então em seu auge devido a uma apresentação bombástica na Bienal de Dança da cidade francesa de Lyon. Barbot, com look despojado, sotaque gaúcho e uma das boinas que ele mesmo fazia, observava todos nós, jovens bailarinos negros, e se perguntava se alguém ali valia a pena ser selecionado.

Acabei não sendo escolhido, mas um amigo que já dançava na companhia o convenceu a me dar uma oportunidade. Nem sei se contribuí tão significativamente assim para a história da companhia, mas ele e Gatto Larsen, seu companheiro de vida e arte, sim, fizeram muito no que diz respeito à minha formação artística.

O André que saiu da companhia, alguns anos e personagens depois, sem dúvida, era outro. Mais confiante e mais negro, carregando na mochila algumas histórias para contar (as minhas e as deles), além de uma boina como souvenir. Afinal de contas, o que vale mais na vida do que colecionar histórias? Belas, tristes, engraçadas, líricas, trágicas…

Obrigado mestre Barbot pelos ricos capítulos com os quais me presenteou. Deus o conserve a ti e tua arte! Axé para todos!

André Silva Bern

* Foto (créditos): http://www.realhiphop.com.br

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