Já faz mais de um mês que descobri Mika por acaso enquanto fazia pesquisa na internet para criar uma atividade com clipes musicais. Era a primeira vez que via o clipe de “Love today” e a música é daquelas que grudam imediatamente no ouvido e convidam a dançar. Sim, os gritinhos e agudos em falsetto são evidentes, mas quem liga para isso se, afinal de contas, a música é boa? Bem, parece que muita gente ainda se importa com mais do que apenas a produção artística de um cantor.
Mika é libanês de origem, mas vive em Londres desde os nove anos. Toca piano e sua experiência profissional vai de apresentações na Royal Opera House até composições de música de fundo para os vôos da British Airways. Seu disco de estréia, Life in Cartoon Motion (em português, algo como “Vida em ritmo de desenho animado”) é um sucesso de vendas e suas performances têm sido comparadas às de Robbie Williams (sua voz em alguns momentos lembra mesmo a do cantor) e Elton John, David Bowie e Freddie Mercury, certamente por causa da extravagância dos figurinos. A propósito, se você achar algum parentesco distante entre alguns agudos de Mika (especialmente em “Happy ending”) e dos Bee Gees me avise, pois então vou finalmente descobrir que não sou o único louco a pensar isso!
“I never talk about anything to do with my sexuality. I just don’t think I need to. People ask me all the time. But I just don’t see the point”, Mika dispista quando o assunto é sua suposta homossexualidade. Por outro lado, a temática de “Billy Brown”, uma das faixas do álbum, é abertamente homossexual. Alguns críticos, como Alexis Petridis, do jornal inglês The Guardian, torcem o nariz para a qualidade das letras de suas músicas.
Concordo com o fato de que as letras das músicas de Life in Cartoon Motion não são tão profundas. Talvez nem tenham sido pensadas com este objetivo. O encanto, entretanto, me permanece intacto. Ouvir Mika me remete a um pop meio perdido no tempo. Uma música de celebração à vida, à diversão e à liberdade, com grandes coros e refrões afiados.
Alexis Petridis, por outro lado, tem razão ao criticar “Big girl” ao disparar “telling an obese woman she looks like a big balloon is unlikely to get her weeping with gratitude”. Mika definitivamente não foi feliz com a metáfora. Também é verdade que suas letras são recheadas de frases de duplo sentido, que poderiam ser facilmente comparadas com as de muitos funks cariocas. Para mim, brasileiro que sou, tudo soa bem mais leve em Mika. Afinal, um palavrão surte um efeito bem mais devastador quando dito em português. Daí provavelmente o porquê de eu preferir Peaches a Tati Quebra Barraco.
Se Mika é gay ou não, acho que não deveria ser motivo de tamanha comoção. Sua música é divertida, assim como suas performances, and that’s all folks! “Relax, take it easy”, ele canta, em uma das faixas do disco, como que nos convidando a dançar. O resto? Apenas detalhe.
Abraços e até o próximo post!
André Silva Bern

8 Comentários
Julho 26, 2007 às 7:19 pm
gostei da tua resenha. devo dizer que mika salvou minha vida musical numa época em que tudo soava tão chato e meloso. mika é alegre e essa para mim é a melhor tradução para a palavra gay ao se referir a ele. =)
agora acho que as pessoas se preocupam demais em analisar billy brown como sendo uma canção que deixa claro a preferência sexual dele. você já prestou atenção na letra de stuck in the middle??? essa sim ao meu ver é uma declaração forte de quem realmente é mika!!!
teu texto é muito bom. virei aqui mais vezes. aproveite pra se cadastrar no fórum. seria bom ter teu texto discutido lá tb.
beijinhos!
sweet! =)
Julho 26, 2007 às 10:22 pm
Hey, Sweet! Obrigado pelos elogios e pela visita. Concordo com o tom ainda mais evidente de “Stuck in the middle” e gosto muito da versão que Mika gravou para “Satellite”, de Dave Matthews Band. Simplesmente adorável!
Agosto 6, 2007 às 6:55 am
Ola,
Gostei de ler o teu artigo. Já há uns tempos que ouço Mika, mas nunca tive, até hoje, interesse em procurar na internet textos sobre ele (nao sei porque).
Concordo com o que dizes. Especialmente com a parte dos BeeGees. A primeira vez que ouvi a sua música foi desse grupo que me lembrei primeiro. Muitas das músicas do Mika me fazem lembrar os BeeGees de quem tanto gostei e ainda gosto.
A questão que me fez vir procurar na internet pelo Mika é a música “Relax, Take It easy” … que se não é uma re-edição da música cantada por outro grupo é certamente uma música que tem a sua melodia copiada de outra música. Mas ainda não foi neste teu blog que descobri isso!
Se alguém tiver alguma informação em relação a isto gostaria que a partilhasse comigo … só mesmo para eu satisfazer a minha curiosidade … pois há uma semana que já ando com este assunto na cabeça!
Saudações a todos e parabéns por este teu blog!
Afonso
Agosto 6, 2007 às 11:39 am
Boa, Afonso! Obrigado pela visita e pode deixar que escrevo uma mensagem assim que obtiver informações sobre a sua pergunta.
Agosto 6, 2007 às 11:25 pm
Voltando à pergunta do Afonso: sim, “Relax” tem a melodia copiada de um sucesso dos anos 80 da Polônia, de uma banda chamada Cutting Crew. A música em questão é “(I just) died in your arms tonight”. Eu mesmo não conhecia, mas espero ter ajudado com a informação. Abraços!
Julho 15, 2009 às 11:33 pm
Não entendo porque os pseudocults insistem que filmes e músicas tem que ter conteúdo. Já pensei várias vezes nesse ponto. Hoje, definitivamente não me importa o contéudo, se é profundo ou não. Se a música me toca tanto pelo ritmo ou pela voz do cantor, ela já tem o seu valor. Acredito que deve se ter um pouco de bom senso. Não aceito ouvir qualquer asneira. Mas as músicas de Mika são piegas, divertidas, dançantes e não um livro de um filósofo conceituado. That’s all.
Julho 15, 2009 às 11:53 pm
Obrigado pelo comentário, Pedro! Super abraço!
Setembro 11, 2009 às 2:50 pm
MIKA É MARA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!